Efeitos de resistência: programa ciência sem fronteiras

Autores/as

  • Carina Merkle Lingnau Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Brasil Departamento Acadêmico de Ciências Humanas, Letras e Artes
  • Pedro Navarro Universidade Estadual de Maringá, Brasil Departamento de Letras

Palabras clave:

Globalização, Discurso, Internacionalização da Educação, Mobilidade

Resumen

O Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) é um projeto de intercâmbio e mobilidade internacional do governo brasileiro nas instituições de ensino superior (IES), ele esteve em evidência em vários países do mundo e permitiu o ingresso de estudantes brasileiros em várias IES internacionais. O programa CsF teve muitos pontos positivos mas também várias lacunas em sua realização. Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de doutorado realizada e orientada pelos autores e desenvolvido na Universidade Estadual de Maringá, (UEM), estado do Paraná, Brasi. Desse modo o objetivo desse artigo é refletir sobre os efeitos de governamentalidade dos discursos produzidos sobre o CsF no corpus deste artigo, que reúne entrevistas, documentos e mídias. Como metodologia do trabalho utilizamos levantamento bibliográfico, pesquisa documental, entrevistas narrativas (BAUER & GASKEL, 2002) e método arquegenealógico (FOUCAULT, 1999, 2008a, 2014a). Nossas discussões têm suporte teórico em Foucault, Veiga-Neto, Bauman, entre outros. Como resultados percebemos neste artigo que os efeitos de resistência ficaram em torno da permanência dos alunos nos Estados Unidos da América (EUA) mesmo em condições de dificuldade linguística, uma vez que apesar das exigências do programa nem todos os discentes envolvidos no CsF tinham fluência no idioma da IES estrangeira que desenvolveram seus estudos; também observamos resistência diante da resolução de problemas enfrentados pelas/os acadêmicas/os quando conseguiram estabelecer comunicação com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); por fim a resistência também envolveu a reflexão sobre os recursos financeiros enviados ao exterior para o CsF. Concluímos que a partir desta experiência no CsF os discentes envolvidos só conseguiram ter seu período no exterior finalizado por conta do foco no ensino, uma vez que a pesquisa e a extensão foram comprometidas porque as alunas/os não tinham fluência no idioma do país estrangeiro que recebeu os discentes. Ainda salientamos que os discentes perceberam que tanto professores brasileiros quanto norte-americanos tinham qualidade de ensino em suas aulas, um exemplo disso foi o uso de referência bibliográfica idêntica nos dois países, diferindo apenas o fato de no Brasil o uso ser impresso e nos EUA o livro ser utilizado no formato online, na parte estrutural no entanto, foram observadas diferenças. Outra questão observada foi a mudança da representação da imagem percebida em relação ao brasileiro, da imagem brasileiro preguiçoso, burro, para brasileiro esforçado e inteligente. Ademais, os entrevistados consideram o povo brasileiro como mais crítico do que o povo norte-americano e entram em contato com a representação brasileira, conseguindo uma visita com o responsável norte- americano para que o problema fosse verificado e os alunos brasileiros que estejam enfrentando esse mesmo problema com o aprendizado do idioma no Texas sejam transferidos para outro estado norte-americano. No entanto, esta oportunidade que o CsF ofereceu aos alunos não implementou em grande escala a parceria internacional entre as IES, Assim, o modo pelo qual as/os acadêmicas/os reagiram aos desafios apresentados se efetivou nas resistências que se fizeram necessárias para que o programa minimamente fosse realizado pelos discentes envolvidos no processo de mobilidade internacional.

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Citas

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Publicado

2021-07-29

Cómo citar

Merkle Lingnau, C. ., & Navarro, P. . (2021). Efeitos de resistência: programa ciência sem fronteiras. Ñemitỹrã, 3(1), 25–37. Recuperado a partir de https://revistascientificas.una.py/index.php/nemityra/article/view/1589